O escritor atua como um “mediador da cultura coletiva”. Viva Godofredo Neto!

O escritor e professor Godofredo de Oliveira Neto tomou posse na Academia Brasileira de Letras, dias atrás, ocupando a cadeira que antes pertenceu a Cândido Mendes, falecido em fevereiro passado e que já pertencu a José Honório Rodrigues. Conheço pouco seu trabalho como escritor, apenas o romance Menino oculto (editora Record, 2005), prêmio Jabuti em 2006, mas conheço um pouco mais de seu trabalho em teoria literária – e, consequentemente, de sua militância política, que se envolve a sua atividade como docente e pesquisador.

Godofredo foi perseguido pela ditadura e se exilou na França, fazendo mestrado e doutorado. De retorno, tornou-se docente da área de Letras da UFRJ. Tem uma coisa no trabalho de Godofredo Neto que me encanta: sua ideia de estabelecer “pontes” entre os escritores de outra época e o contemporâneo. Um de seus temas recorrentes é a questão do inconsciente do texto, a percepção de que toda obra literária tem muito do autor, é claro, mas também da cultura, do espírito de uma sociedade – daquilo que eu (ousando o diálogo) trabalho sob a ideia fenomenológica de intersubjetividade. Por meio desse conceito, Godofredo Neto coloca que o escritor atua como um mediador da cultura coletiva, o que permite as referidas “pontes”.

Autor: Fábio Horácio-Castro

Escritor, jornalista, pesquisador, sociólogo, etnógrafo, fenomenólogo, professor. Sou também Fábio Fonseca de Castro e Fábio de Castro da Gama. Conforme a ocasião, o nome.

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